domingo, novembro 20, 2005

Será que isto significa que ele não voltará do Brasil?

Cavaco quer melhorar imagem de Portugal.

E pretende naturalizar-se brasileiro?

4 Comments:

Blogger Arrebenta said...

A não perder, a partir das 00.00 h. de amanhã, a primeira grande entrevista concedida à Blogosfera: Cavaco Silva versus Katia Rebarbado d'Abreu

http://great-portuguese-disaster.blogspot.com/

10:39 da tarde  
Blogger Arrebenta said...

GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (1ª Parte) "O Ódio da Ponte"

Katia Rebarbado d’Abreu – Boa noite, Professor.

Professor Cavaco Silva – Boa noite, Dona Katia Rebarbado d’Abreu.

Katia Rebarbado d’Abreu – Antes de mais, em nome de todos os blogonautas portugueses, gostava de lhe agradecer a sua disponibilidade para esta entrevista, sobretudo, quando toda, ou quase toda, a Comunicação Social Nacional o acusa de um ensurdecedor silêncio.

Cavaco Silva – Acredite que é todo meu, o prazer de estar aqui, esta noite, para responder às suas perguntas.

Katia Rebarbado d’Abreu - Professor Cavaco. Silva: por três vezes, nas Legislativas de 95, nas Presidenciais de 96, e, mesmo antes, embora simbolicamente, no Garrafão da Ponte, os Portugueses disseram-lhe ostensivamente "NÃO". Por quê, então, esta súbita insistência no regresso à política activa?...

Cavaco Silva -- Minha senhora, como sabe, nestes últimos 10 anos, muita coisa se transformou em Portugal, os Portugueses passaram por muitas experiências, sobretudo, por muitas más experiências, e, de certa forma, aprenderam a distinguir a boa moeda da má moeda. Quando me decidi a apresentar-me como candidato presidencial, penso que venho ao encontro desta enorme necessidade de amadurecimento e mudança da sociedade portuguesa.

K.R.A. – Para muitos Portugueses, essas más experiências, que referiu, são fruto e consequência directa dos dez anos em que governou Portugal, nalguns meios, conhecidos, mesmo, pela depreciativa designação de The Great Portuguese Disaster…

C.S. – Do meu ponto de vista há algum exagero nessa apreciação, sobretudo agora, em 2005, em que procuro aparecer, com uma imagem renovada de progresso e esperança.

K.R.A. -- Mas tem consciência de que este seu súbito reaparecer na cena política nacional, ao contrário de um movimento de renovação, veio reintroduzir um estado eventualmente mais pantanoso do que o anterior?...

C.S. -- Mais pantanoso, como, minha senhora?...

K.R.A. -- Mais pantanoso, porque, como consequência dos rumores da sua candidatura, o octogenário Mário Soares, por muitos considerado a epígrafe, discutível, ou não, da nossa Democracia, se sentiu na obrigação de se colocar como seu adversário. Porque, por sua vez, esse súbito avanço de Soares teve como consequência vir pôr a nu algumas clivagens internas do P.S., ou seja, remeteu para quezílias locais um momento de intervenção cívica que deveria ser de renovação e esperança, limitando-se a fazer rodar num palco, já de si desgastado pelas circunstâncias, nacionais e internacionais, velhos actores de velhos papéis...

C.S. -- Minha senhora, o que me fez avançar foi apenas um imperativo de consciência, porque não me resigno, porque conheço muito bem a razão das dificuldades que atravessamos, porque sei que posso ser um factor de confiança, de estabilidade e de credibilidade...

K.R.A. -- Repito que, nos últimos 10, 11 anos, por 3 vezes, os Portugueses se pronunciaram e lhe disseram o contrário…

C.S. -- Fala-me de 3 vezes... sinceramente, não me lembro dessas 3 vezes… Que me recorde, a única vez em que fui preterido pelos Portugueses foi em favor do doutor Jorge Sampaio...

K.R.A. -... e já antes, na derrota de Fernando Nogueira...

C.S. -- Mas aí, como se deve lembrar, o derrotado foi Fernando Nogueira, não eu...

K.R.A. -- ... ou antes ainda, naquilo que muitos designaram pelo "Rally do Ódio", em que o professor foi publicamente humillhado, no garrafão da Ponte...

C.S. -- Minha senhora, temos estado a falar de actos eleitorais...

K.R.A. -- E eu a recordar-lhe que, de acordo com a longa história de emancipação dos direitos de liberdade e cidadania dos povos, as maiores manifestações de desagrado se fizeram, não nas urnas, mas nas ruas, ou seja, sendo mais objectiva, no caso português, desde o Verão Quente de 1975, que não se via um levantamento popular como o que sucedeu no garrafão da Ponte.

C.S. -- Minha senhora, muito sinceramente, não vejo que o que aconteceu na Ponte tivesse a ver directamente comigo. Tanto quanto me lembre, isso são coisas muito antigas, havia umas quantas pessoas, deixe que lhe diga, com uma educação que, do meu ponto de vista, muito deixava a desejar, que se estavam a recusar a cumprir os seus deveres de contribuintes, e a impedirem que o Estado fizesse as cobranças a que tinha direito, num momento em que, justamente, todos os indicadores de preços, e eu posso trazer-lhe todos os recortes do "Financial Times" dessa altura, dizia eu, todos os indicadores de custos apontavam para uma urgente necessidade de aumento de custo das portagens...

K.R.A. -- Portanto, do seu ponto de vista, toda aquela massa humana se limitava a um bando de iliteratos que não tinham sabido interpretar os indicadores do "Financial Times" ...

C.S. -- Se quiser colocar a questão desse ponto de vista, também a aceito... Para mim, a questão era bem clara: durante toda a semana, as curvas financeiras vinham a apontar para uma necessidade de aumentar as portagens, de modo a evitar um irreparável desequilíbrio no binómio custos/receitas. Aliás, se bem se lembra, a normalidade foi rapidamente restabelecida, com a intervenção das forças da ordem, e o Estado de Direito ali mesmo salvaguardado.

K.R.A. -- Há quem continue a ver, nessa "intervenção", um lúgubre regresso às célebres cargas policiais do tempo da Ditadura... Da qual resultou, aliás, como mais dramática epígrafe, uma bala que tornou irremediavelmente paraplégico um jovem que apenas se tinha deslocado ao viaduto do Pragal, para se inteirar do que estava a acontecer...

C.S. -- Minha senhora, terá de me dar razão, o bom senso aconselhava qualquer cidadão prevenido a não se deslocar a um... digamos... campo de batalha, sem que o movessem razões realmente urgentes. Deixe que lhe diga que eu próprio fui jovem, assisti a muitos conflitos provocados por agitadores durante o tempo de estabilidade, progresso e esperança governativos do Professor Doutor Oliveira Salazar, e nunca tive..., não tinha... a tentação de sair a rua nessas ocasiões, mesmo, repito..., mesmo, quando outros estudantes, mais desprevenidos, o faziam. Reza um provérbio algarvio que cada um sabe de si, e que só Deus é que sabe de todos... Para mais, tenho de lhe confessar, só muito depois é que fui informado desse, enfim, desagradável... acontecimento..., que hoje, dez anos passados, e com a experiência e o conhecimento que tenho da realidade portuguesa, obviamente lamento, mas a verdade é que, como a senhora sabe, que lê jornais, ouve rádios, vê televisões, coisas dessas acontecem diariamente na cena mundial, e, deixe-me que lhe diga, comparativamente com a situação social da nossa Aldeia Global, Portugal continua a ser um oásis, minha senhora, Portugal continua a ser um oásis, relativamente a muitos países do Mundo, por exemplo, o Iraque, ou o Afeganistão, em que tão recentemente um dos nossos jovens mancebos perdeu a vida e outro ficou gravemente ferido, um oásis, relativamente a um mundo em que, todos os dias, jovens ficam paraplégicos, devido ao disparo perdido de balas reais, por armas de borracha...

K.R.A. -- De balas de borracha, disparadas por armas reais, quer o Professor dizer...

C.S. -- … isso… isso…

K.R.A. -- Que, naquele caso, eram mesmo balas reais, e disparadas por armas reais, sobre a população portuguesa...

C.S. -- Se quiser encarar isso assim, terei de lhe acrescentar que, do ponto de vista jurídico, nada ficou provado, e que nem os tribunais deram qualquer tipo de relevância ao caso. Do meu ponto de vista, e resumindo, tudo não passou de um pequeno episódio necessário para restabelecer a Ordem Pública, e que, posteriormente, como é muito hábito em Portugal, o caso, ao contrário da imprensa estrangeira, foi desagradavelmente empolado pela nossa Comunicação Social.

K.R.A. -- Para muita gente, pelo contrário, a Ponte continua a ser vista como o Espaço da Insurreição, ou, como disse o Presidente da República de então, o Dr. Mário Soares, um exemplo real de um exercício daquilo que ele designava por "direito do povo à indignação", assistindo-se no Portugal Democrático, à primeira vez em que, desde o 25 de Abril de 1974, um político e o Poder caíam, redondos, na rua.

GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (2ª Parte) "A morte afectiva e política do Paizinho"

(Continuação)

C.S. -- Minha senhora, a História pode ter todas as interpretações que lhe quiser dar. O máximo que lhe posso dizer, dez anos passados, é que a minha não coincide com a sua...

K.R.A. -- De facto, não coincidem, a minha leitura do Levantamento da Ponte é a do fim de um contrato afectivo que nunca mais se reescreveu entre si e o Povo Português. De algum modo, há mesmo quem compare os acontecimentos da Ponte ao trágico 1905, em que, em São Petersburgo, o Czar Nicolau II mandou disparar sobre as massas que se manifestavam, debaixo da sua janela, gritando-lhe que tinham fome. Diz a História que Nicolau mandou disparar, porque teve medo das multidões, que nem sequer eram agressivas. Cerca de 12 anos depois, a Revolução Russa veio-lhe, tragicamente, revelar que havia sido, nesse mesmo dia, que se tinha irremediavelmente quebrado o pacto de paternalidade existente entre o Czar e o seu povo...

C.S. -- ... sim, parece-me já ter ouvido falar disso... (tosse. Agarra no copo de água e bebe).

K.R.A. – Agora, muito directamente, e regressando à actualidade, suponha que o Professor é o próximo ocupante do Palácio de Belém...

C.S. -- ... como espero ser...

K.R.A. -- ... que, como espera, seja o próximo ocupante do Palácio de Belém, e que, como aconteceu no Verão de 2004, com o anúncio da escolha de Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia, uma grande multidão se reúne diante do Palácio para o pressionar a tomar uma atitude musculada, no caso vertente, uma dissolução da Assembleia da República. Seria capaz, sentindo-se ameaçado, como o Czar, de 1905, ou o Professor Cavaco Silva, Primeiro-Ministro de 1994, de, de novo, recorrer ao uso de disparos de armas de fogo?...

C.S. -- Está-me a perguntar como reagiria eu, perante uma manifestação que, como se sabe, foi convocada por pequenos grupos de Esquerda, para forçar, em 2004, o Presidente Jorge Sampaio a dissolver a Assembleia Nacional?...

K.R.A. -- ... a Assembleia da República...

C.S. -- ... isso... Bom, na minha pergunta, já está, de certa maneira, contida a resposta: tratou-se de uma agitação pontual, provocada por grupos esquerdistas, pouco representativos da sociedade portuguesa... Não, minha senhora, não... nada disso teria a ver com as tais circunstâncias especiais ligadas ao futuro do País. A minha atitude seria a mesma.

K.R.A. -- Que mesma?... A do Presidente Sampaio, de 2004, ou a do Primeiro-Ministro de Portugal, dos Anos 90, que disparou mesmo sobre a multidão?...

C.S. -- Minha senhora... não fui eu que dei qualquer instrução nesse sentido. A manutenção da Ordem Pública encontrava-se a cargo do Dr. Dias Loureiro, por minha escolha, então, Ministro da Administração Interna, e só lhe posso acrescentar que, creio, ele terá desempenhado exemplarmente o seu papel, nessas circunstâncias críticas. Aliás, como sabe, ele integra, hoje, a vasta Comissão de Honra que suporta a minha candidatura presidencial.

K.R.A. -- Quer dizer que, em circunstâncias excepcionais, de mobilização de massas, continuaria a não ter medo, e nunca voltaria a recorrer à violência?...

C.S. -- Não estou a ver a que circunstâncias se possa estar a referir...

K.R.A. -- Factos consequentes de agitações grevistas, de tumultos resultantes do crescimento descontrolado do Desemprego, da desagregação do tecido social, por exemplo, ou, mais ainda, de factos como os recentemente ocorridos em França, por exemplo...

C.S. – Não… não… não, minha senhora, aliás essas ordens de... como a senhora diz… "disparar", são da estrita competência do Governo, e eu estou a candidatar-me a Primeir..., perdão, a Presidente da República, não a Primeiro-Ministro de Portugal!...

K.R.A. -- Quer isso dizer que o Professor continua a ser um homem que nunca tem medo e que raramente se assusta?...

C.S. -- (risos) ... excepto, claro está, em circunstâncias excepcionais (risos).

K.R.A. –- Portanto, os Portugueses devem sentir-se serenados, por saberem que continuam a ter perante si um homem de convicções, e há mesmo quem diga que, como homem de convicções, o professor nunca se recompôs verdadeiramente da sua derrota perante Jorge Sampaio, ou seja, de que já era sua convicção de que quem então se enganou, em 1995, foi o Povo, e não o Professor, e de que este inesperado regresso, em 2005, não passa, afinal, de uma tentativa de um velho ajuste de contas, ou, na postura a que tantas vezes nos habitou, de uma nova oportunidade académica de dar uma "lição", visivelmente agastada, a um público eventualmente muito mais vasto e amadurecido.

C.S. -- ... não... nada disso... Aliás, julgo já ter deixado claro e evidente, por diversas vezes, que não me candidato contra ninguém. Pelo contrário, eu candidato-me para ajudar o país a vencer as inúmeras dificuldades em que hoje está mergulhado, e para o orientar na construção de um futuro melhor. O meu compromisso é exclusivamente com Portugal, e com o bem dos Portugueses, de todos os Portugueses. Eu sei que Portugal pode vencer.

K.R.A. -- Mas a realidade é que a sua reaparição no palco político, na óptica de muitos comentadores, se limitou a um ressuscitar de velhos fantasmas, e há mesmo vozes, na Opinião Pública, que incessantemente repetem que o senhor é apenas a face visível de forças muito mais sombrias, que nunca se conformaram com a existência, em Portugal, de um sistema democrático, e que agora encontram a altura e o candidato ideais para se manifestarem...

C.S. -- (risos) devo depreender, pelas suas palavras que sugere que a minha candidatura poderia ser a face sorridente de uma ascensão da extrema-direita, tal como tem vindo a ocorrer em diversos países europeus… (risos)

K.R.A. -- (risos) ... de modo algum…, aliás, suponho que o "le-penismo" esteja circunscrito ao hexágono francês...

C.S. -- Minha senhora, a senhora conhece-me...

K.R.A. -- Sim, claro que sim, conheço-o eu e conhecem-no mais dez milhões de Portugueses, se considerarmos todos os nascidos depois de 1985, e esse é, justamente, um dos problemas da sua candidatura: os Portugueses o conhecerem bem de mais… Mas, voltando à actualidade, não acha que 2005 seria a ocasião mais adequada para deixar espaço para que, de todos os quadrantes políticos, houvesse oportunidade para que avançassem candidatos bem mais jovens?...

C.S. -- Bom, espero que a senhora não me esteja a chamar de velho... (risos)

K.R.A. -- (risos)... Não, obviamente que não: num país que reequacionou a idade da reforma para os 65 anos, e que, como todos os estudos apontam, a irá ainda fazer subir, durante a presente maioria absoluta e o próximo mandato presidencial, para os 68, ou mesmo 70, o professor, é, obviamente, ainda um jovem, assim como o doutor Alegre é um inconsciente"teenager", consumidor de álcool, e o doutor Mário Soares, um Don Juan, de 30 anos. Mas não é sobre isso que eu me queria pronunciar. Não acha que o cenário das Presidenciais de 2006, pela ordem natural das coisas, devia ter apresentado, ao lado de Jerónimo de Sousa e de Francisco Louçã, nomes como os de Guterres, Santana Lopes e Paulo Portas?...

C.S. -- (silêncio) Minha senhora, recentemente, já tive oportunidade de me pronunciar sobre a "má moeda". Espero que não me obrigue, agora, a pronunciar-me aqui, para além da má moeda, também, sobre a péssima moeda...

K.R.A. -- Essa sua célebre análise sobre a "boa e a má moeda" seria, hoje, obviamente, extensível ao Eng. Sócrates e ao seu governo. De que lado situaria então o Eng. Sócrates: do lado da boa, ou da má moeda?

C.S. -- (silêncio) Minha senhora, recentemente, tive oportunidade de me pronunciar sobre esse assunto, e volto aqui a repetir-lhe o que já disse a um dos seus colegas da Comunicação Social: ainda é muito cedo para avaliar a acção do governo do Eng. Sócrates.

K.R.A. -- Qual, então, o tempo ideal para essa pronuncia?...

C.S. -- A seu tempo, a senhora, assim como todos os Portugueses, o saberão...

K.R.A. -- Há já quem avance com o momento desse pronunciamento para o dia seguinte ao da sua eventual tomada de posse como Presidente da República... Ou estará, porventura, à espera do fim da Legislatura para avaliar o desempenho do Governo P.S.?

C.S. -- Repito-lhe: a seu tempo, a senhora, assim como todos os Portugueses, saberão o que eu penso, e irei fazer, relativamente a esse assunto...

(Continua)

12:01 da manhã  
Blogger JAC said...

Recomendo que fale com o Coelho e a Felgueiras...

Sal de Portugal

http://sal-portugal.blogspot.com/

1:17 da manhã  
Blogger JAC said...

Hope…

Sal de Portugal

http://www.sal-portugal.blogspot.com/

5:53 da tarde  

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